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Informe Naval9

Novos tempos estão a caminho para o setor marítimo no Brasil

Os dias de ouro da indústria naval no Brasil se foram há muito tempo: grandes companhias de navegação faliram, navios de bandeira brasileira foram vendidos, arrestados, abandonados ou simplesmente sucateados, enquanto que os estaleiros, que não tinham assim mais tanto serviço a fazer, foram fechados ou sobreviram ao longo dos anos fazendo reparos e serviços de docagem. Esse quadro denota uma história bastante triste num primeiro momento, mas espere um pouco, pois parece que existe esperança de um futuro melhor para o gigante do Atlântico Sul!

As décadas de 60 e 70 foram memoráveis para a história da marinha mercante no país: a criação do “Fundo da Marinha Mercante” e da “Taxa para Renovação da Marinha Mercante”, em 1958, junto a diversos outros objetivos e metas determinados pelo Governo nessa época, fez do crédito em grande volume algo disponível para ser investido na indústria da construção naval e para o desenvolvimento da marinha mercante de forma geral. Contando com tais incentivos, novos estaleiros como o Ishibrás e o Verolme, por exemplo, foram construídos no Rio de Janeiro ao passo que estaleiros antigos foram renovados e, no final da década de 70, a indústria naval brasileira alcançou a segunda posição no mundo empregando cerca de 40.000 pessoas em 1979. Nessa mesma época, o país também sediava uma das maiores empresas de navegação da América do Sul, para não mencionar no mundo: A Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro.

Esse excelente retrospecto sofreu um grande e duro golpe ao longo das décadas de 80 e 90, período em que o país atravessou diversos problemas tanto políticos quanto econômicos. O número de empregados na construção naval recuou para 30.000 no período de 4 anos entre 1979 e 1983, e com o naufrágio do Lloyd Brasileiro na década de 90, após 100 anos em operação, muitos navios de bandeira brasileira foram simplesmente abandonados em fundeadouros como o que aconteceu com o antigo M/V “Lloyd Atlântico”, navio que na década de 80 foi o maior porta contêineres construído na América do Sul até então, sendo abandonado em fundeio na Baía de Guanabara após somente 10 anos em serviço.

Com o declínio da economia no país e com os investimentos públicos sendo redirecionados para a construção e manutenção de rodovias, em detrimento às aplicações visando o desenvolvimento de portos e da navegação de cabotagem, o setor marítimo quase desapareceu no Brasil e as companhias de navegação foram uma após a outra atravessando problemas de ordem financeira, que as levaram posteriormente a falência ou a um estado de quase abandono. A exceção à esse panorama se deu somente em grandes companhias públicas como a Petrobrás-Fronape e a então Docenave (da então Companhia Vale do Rio Doce), que conseguiam manter suas frotas operando de forma economicamente viável, sendo empregadas no transporte de seus próprios insumos ou produtos (petróleo e minério de ferro, principalmente).
Em meados da década de 90 o país começou novamente a experimentar grandes mudanças em sua economia por conta do sucesso dos novos programas fiscais e econômicos que entraram em vigor e levaram, entre outros, ao lançamento do Plano Real, trazendo estabilidade financeira de volta para a indústria e para a economia. Tempos depois nasce o a famosa sigla BRIC (sigla usada para a denominação do bloco de países Brasil, Rússia, Índia e China) que de repente começou a “acordar” de seu sono profundo ao passo que a indústria brasileira iniciava sua reativação, a China tomou conta da produção de praticamente todos os tipos de manufaturados, o mercado internacional de contêineres subiu como nunca antes havia acontecido e a indústria de óleo e gás, por exemplo ao longo da costa brasileira, evoluiu “50 anos em 5” em termos de desenvolvimento tecnológico.

Desde então, os antigos estaleiros brasileiros recomeçaram a receber novas encomendas e o Governo voltou a dar sua contribuição, desenvolvendo novas políticas específicas para a reativação da indústria naval no país. Para mencionar alguns exemplos, o M/V “Log-in Jacarandá” foi entregue em 2010 como sendo o primeiro navio porta contêiner construído no país em 15 anos, novos e modernos navios tanque começaram a ser construídos para a Petrobrás, que tem também contratado, a longo prazo, novas embarcações de apoio marítimo para suas unidades de produção de petróleo na Bacia de Campos, sendo uma das condições para a contratação a de que tais embarcações sejam construídas no Brasil. Até novas barcas, utilizadas para conectar as cidades visinhas do Rio de Janeiro e Niterói, através da Baía de Guanabara, foram construídas e colocadas em serviço, substituindo as antigas com idade média de 50 anos.

É verdade que o país ainda tem seus problemas para resolver e aqui estamos falando de infraestrutura por exemplo. Para mencionar alguns pontos, o custo para a movimentação de um contêiner no Brasil é cerca de 3 vezes maior que em Hong Kong, navios de grande porte ainda não conseguem atracar nos principais portos brasileiros por conta de restrições de calado, questões alfandegárias ainda tomam bastante tempo e a qualidade média da mão de obra ainda deixa a desejar quando comparada aos países europeus. Ainda existe muito a ser feito…

Mas, de qualquer forma, novas companhias de navegação de cabotagem como a Log-in Logística foram criadas, ao mesmo tempo em que companhias antigas como a Aliança Navegação e Logística, subsidiária da Hamburg Sud, aumentaram seus investimentos recentemente, colocando em serviço 4 novos navios entre os anos de 2009 e 2010, aumentando a capacidade de carga da companhia de 53.180 para 68.885 TEUs (+29,5%). Tais números ainda são muito pequenos quando comparados os números de líderes de mercado tais como a A.P. Moller – Maersk Line e seus novos navios com capacidade para 12.000 TEUs, mas olhando o retrospecto recente de declínio da indústria da navegação brasileira, percebe-se que algum tipo de retomada já se encontra em andamento.
Somente para não deixar de mencionar: Você, prezado leitor, se lembra daquele velho e abandonado navio M/V “Lloyd Atlântico”, que citei anteriormente nesse texto? Pois bem… após longos anos deixada à própria sorte o navio foi vendido, restaurado e renomeado para M/V “Maestra Atlântico”. Atualmente o navio parece novo como nos velhos tempos e mais uma vez arvora o pavilhão verde e amarelo da bandeira do Brasil em suas viagens entre diversos portos ao longo da costa do país. Ainda melhor é saber que o armador da embarcação é uma nova empresa 100% nacional, a Maestra Navegação e Logística, fundada recentemente em 2010.

Novos tempos estão a caminho para o setor marítimo no Brasil, definitivamente!

Fonte: Portal Marítimo

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